Diversificação Alimentar dos 4 aos 12 meses: Tudo o que precisa saber

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Barbara de Almeida Araujo

Chegou a altura do seu bebé começar a diversificação alimentar?

É normal que surjam dúvidas e receios, mas esta fase deve ser encarada com tranquilidade e sobretudo ter em conta que os bons hábitos alimentares devem começar a ser criados desde cedo.

As refeições devem ser dadas ao ritmo do bebé e se este rejeitar um alimento não desista logo à primeira (sabia que estudos indicam que são necessárias cerca de 8 a 10  tentativas para se afirmar com certeza que o bebé não gosta de determinado alimento/sabor?).

E lembre-se, a introdução de alimentos novos deve ser efectuada com um intervalo de 3 a 5 dias de forma a identificar-se com mais facilidade uma possível reacção adversa ao alimento e para dar tempo ao bebé de se adaptar ao novo paladar.

Quando é que devemos começar a diversificação? 
Podemos iniciar entre os 4 e os 6 meses. Idealmente devemos manter o aleitamento materno em livre demanda até aos 6 meses.
Após os 6 meses o leite materno, ou o leite artificial, já não são suficientes para satisfazer as necessidades nutricionais do bebé, nomeadamente as necessidade de ferro, proteína e calorias. Para além disso, é por volta dos 6 meses que o bebé consegue sentar-se com apoio, manter a cabeça erguida, levar alimentos à boca e engolir, e o organismo do bebé está então mais maduro e preparado para digerir outros alimentos que não o leite.

Por onde começar? Sopa ou papa?
Na verdade não existem regras rígidas no que diz respeito à diversificação. No entanto se vai começar a diversificação pelo método tradicional (veja o artigo introducao alimentar: baby led weaning ou método tradicional) recomendo começar pela sopa. E porquê? Porque o ser humano nasce com o paladar geneticamente condicionado, havendo uma preferência inata para o doce e aversão para o amargo. Ora se formos dar papa, à partida o bebé vai aceitar bem, no entanto, como já referi esta fase é fundamental para dar inicio à formação de hábitos saudáveis. Assim, ao iniciarmos primeiro com a sopa vamos estar a promover a aceitação precoce do sabor amargo e a educar o palato.

4 MESES


Legumes – cenoura, abóbora, cebola, batata, batata doce, alface, alho francês, chuchu, courgete,

Dica: Pode começar com sopa de cenoura/abóbora, cebola e batata/arroz. No final da cozedura adicione 1 colher de café de azeite.
Não deve colocar mais do que 4 ingredientes na sopa de forma a treinar melhor o palato e não mascarar o sabor dos legumes.
Inicialmente o bebé poderá comer apenas 1 a 2 colheres de sopa,  podendo-se complementar a refeição com leite materno/artificial.

Fruta –  maçã, pêra, banana.

Idealmente a fruta deve ser dada crua, ralada ou esmagada, e sempre individualmente, sem misturar outras frutas ou alimentos.
A maçã ou a pêra se estiverem muito verdes poderá cozer.

Cereais –Apenas cereais sem glúten como arroz ou milho.

6 MESES


Legumes – feijão verde, agrião, pastinaca, brócolos, couve-flor.

Fruta –  Abacate, manga, papaia, ameixa, melão, melancia, marmelo, pêssego, coco

Cereais – Poderá introduzir cereais com glúten, como trigo, aveia, cevada, centeio, espelta, kamut. Pode também dar quinoa, alfarroba.

Carne – Começar com Frango, Peru, coelho, borrego e só depois vaca e vitela. Deverá dar cerca de 10-15g/dia inicialmente. 

7 MESES


Peixe – Peixes como linguado, pescada, cação, maruca, tamboril, solha ou sargo são boas opções (15-20g/dia).


8 MESES


Iogurte – Iogurte natural (sugiro começar pelo de ovelha ou cabra). Esqueça os iogurtes ditos para bebé, têm uma lista de ingredientes que nunca mais acaba.

Fruta – Uva (tenha especial atenção à forma como corta as uvas para evitar o risco de engasgamento)

Outros Alimentos – Ervas aromáticas

9 MESES


Legumes – Beringela, todo o tipo de couves.

Ovo – Introduzir apenas gema (começar com 1/4 e ir aumentando gradualmente).

Pão – Dependendo do interesse do seu bebé, desenvolvimento e dentição poderá oferecer pão em pequenas porções.


10 MESES

Arroz e massa – Pode adicionar arroz ou massa bem cozidos à sopa, no sentido de alterar a textura da mesma.


11 MESES


Leguminosas – feijão, lentilhas, grão, ervilhas.

12 MESES


Clara de ovo – Nesta altura já pode oferecer ao bebé ovo inteiro.

Peixe – Todos os peixes (começar a oferecer salmão, bacalhau, sardinha)

Fruta – Citrinos, frutos vermelhos, kiwi, maracujá, ananás.

Legumes – Espinafres, nabo , nabiça, acelga, beterraba, aipo (não é consensual mas devido aos teores de nitratos e fitatos aconselho a introdução destes legumes por volta desta altura), tomate.

Queijo – Escolher queijos com baixo teor de sal (NOTA: O queijo pode ser introduzido antes, pela altura da introdução do iogurte, mas como contêm algum sal e temos tantos alimentos para introduzir e se respeitarmos a regra dos 3-5 dias, não vejo necessidade de introduzir antes. No entanto se quiser introduzir antes dos 12 meses poderá começar com queijos brancos).

Outros alimentos – mel.

Não se esqueça de oferecer água a partir do momento em que inicia a diversificação alimentar.

A introdução alimentar não é rígida e alguns alimentos podem ser introduzidos mais cedo ou mais tarde, apenas devemos ter mais cuidado com os alimentos com maior potencial alergénico, sobretudo se houver histórico familiar de alergias alimentares. Para além disso, os alimentos de mais difícil digestão ou que causam flatulência devem ser introduzidos mais tarde apenas por poderem causar algum desconforto (como é o caso das couves ou leguminosas).

Se optar pela introdução alimentar seguindo o método tradicional não se esqueça de evoluir na textura dos alimentos. Poderá começar com purés de fruta, papas e sopas com uma consistência cremosa, semilíquida e sem grumos (tudo bem passado).
Consoante o desenvolvimento do bebé poderá, por volta dos 7 meses, passar para uma consistência mais grossa e com pequenos grumos. Por volta dos 9 meses o bebé já consegue comer os alimentos bem passados e esmagados ou em pedaços pequenos.

Acima de tudo respeite o ritmo e desenvolvimento do seu bebé.Procure envolver o bebé nas refeições em família pois eles aprendem por imitação. Será muito mais fácil que estes experimentem alimentos novos se virem os pais também a comer. Para além disso a hora da refeição é também um pretexto para a família estar junta, conversar e conviver. Tente que pelo menos uma das refeições (nem que seja o jantar) seja feita em simultâneo com toda a família.

Leve esta fase com tranquilidade, ouça o seu bebé e vai tudo correr bem, eles acabam sempre por nos orientar 😉

MAnias de uma Dietista. Alimentação Saudável para todos! Famílias Saudáveis e Felizes!

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